Redação
A Defensoria Pública da União (DPU) e o Ministério Público Federal (MPF) em Mato Grosso solicitaram ao Ministério da Saúde a adoção de medidas emergenciais diante da crise sanitária na Terra Indígena Marãiwatsédé, onde 11 indígenas — incluindo quatro crianças — morreram entre janeiro e maio deste ano.
Em ofício enviado à Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), os órgãos apontam possível omissão e insuficiência nos serviços de saúde prestados à comunidade xavante. Entre as mortes registradas estão casos ligados a desnutrição, anemia, apendicite não atendida, falta de transporte e ausência de medicamentos — causas consideradas evitáveis.
O documento revela ainda que 50 crianças, entre seis meses e quatro anos de idade, estão em risco de desnutrição no território. De acordo com o Censo 2022 do IBGE, vivem cerca de 1.160 indígenas na Terra Marãiwatsédé.
A fiscalização identificou uma série de irregularidades no funcionamento do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Xavante, incluindo:
Ausência de enfermeiros e exercício ilegal da profissão
Instalações inadequadas e equipamentos vencidos ou inoperantes
Falta de saneamento básico, estrutura precária e escassez de recursos humanos
Segundo dados do IBGE, apenas 46,16% da população do território possui acesso à água potável. Não há informações oficiais sobre coleta de lixo ou rede de esgoto na região.
“O problema é estrutural e resulta da ausência de gestão técnica e de planejamento integrado”, destaca o ofício assinado pela DPU e MPF.
Os órgãos recomendam a criação de uma força-tarefa multidisciplinar por, no mínimo, 90 dias, além da instalação de um comitê de crise com reuniões quinzenais, composto por representantes do Ministério da Saúde, DSEI, Funai e lideranças xavantes.
O Ministério da Saúde ainda não se pronunciou oficialmente sobre a demanda.
Fonte: Mídia News
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